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11 de fevereiro de 2009

Futuro, que futuro?

Na quinta-série, questionada pela professora sobre o que esperava do futuro, Ariane respondeu: "futuro? Que futuro?".
Na época eu (juntando-me ao coro) ri. De vez em quando vejo Ariane pelas ruas. Mas ela não me reconhece mais. Mas eu a reconheço e sei que já era sábia com 11 anos.
Não acredito no futuro. O futuro simplesmente não existe. É coisa de projeção, imaginação... O futuro serve para uma única coisa: aliviar as dores do presente. É, isso é o futuro, um alívio momentâneo. Que nem chega e já passa. No futuro nada será diferente.
Talvez por isso, não faço longos planos. Prefiro o presente. E receber de presente dele, o depois.

11 de janeiro de 2009

Homicidiar

Por um novo despertar, esse, ele
a cada noite tenta se matar:
acorda no dia seguinte igual,
faz cara-de-bunda,
lava o rosto e vai trabalhar.

a cada noite de domingo
ele tenta se matar
mas acorda na segunda
e toda segunda é igual, igual...

após os feriados,
reuniões com amigos, bares, porres,
novos casos, novas drogas: ele tenta se matar
mas é tudo igual, terrivelmente igual

não é fácil o homicídio, tão pouco se homicidiar,
morrer talvez seja bom e
sobre isso Leminsk já pôs-se a pensar.
de quase-morte em quase-morte,
uma dia de fato ele morre, e aí,
outro, é só comemorar.